Deja Blue VI – Ilhas Caymans

jul 28, 2015   //   by carolschrappe   //   Blog  //  No Comments

 

Atletas, Safetys  e Organizadores do Campeonato Deja Blue VI

Atletas, Safetys e organizadores do Deja Blue VI

O Campeonato de Mergulho Livre DejaBlue 6 este ano esteve muito bem representado por brasileiras. Sim, as meninas do Brasil fizeram bonito durante os treinos e toda a Competição nas Ilhas Caymans.

Durante a primeira semana de treino estavam eu, Carol Schrappe, e a novata Raquel Rache.

Raquel Rache

Raquel Rache

Raquel que é mineira mas mora no Hawaii há anos, fez o Curso com a PFI (Performance Freediving International) 3 anos atrás em Kona, e mergulhou poucas vezes desde então. Voltou a mergulhar este ano querendo aperfeiçoar a técnica e melhorar suas performances.

Nesta primeira semana de treino contamos com apenas metade dos atletas e por isso pudemos fazer muitos mergulhos de treinamento, repetir muitas vezes e aprimorar bem a técnica. Aproveitei para orientar bem a Rachel como evoluir na profundidade e ela respondeu muito bem durante este período. Todos os dias a rotina do treinamento era a mesma, sair cedo para mergulhar, já que tínhamos um horário especifico para cada mergulho profundo (target). Estavam a nossa disposição 4 cabos para treinos e aquecimentos, todos com a supervisão de um Safety Supervisor. Segurança total desde os primeiros treinos em aguas “rasas”. Nesta primeira etapa não passamos dos 50 metros de profundidade, até porque o objetivo aqui era aprimorar a técnica e não a profundidade em si.

No Começo da segunda semana de treino o restante dos atletas começou a chegar em Cayman. E em dois dias estávamos quase todos treinando juntos.

Maya Gabeira e Jessea Lu

Maya Gabeira e Jessea Lu

A “big rider” Maya Gabeira, surfista de ondas gigantes que dispensa grandes apresentações, chegou para treinar com a gente e tentar melhorar suas marcas pessoais. A Adriana Freitas Brandão, nossa campeã da edição passada desta competição, chegou um dia depois e logo fomos todas para água. Como sou a mais experiente em competições, tentei ao máximo deixar as meninas “novatas” bem a vontade, afinal era apenas uma semana de treino e para elas era tudo novidade. Contagens regressivas, horários da performance, como montar os aquecimentos no horário correto, protocolos de superfície, todas estas novidades foram aos poucos ficando mais rotineiras.

Adriana estava mais focada nas performances de piscina este ano, mesmo assim, planejamos e executamos todos os mergulhos de mar, mas visando os  treinamentos para a piscina.

Raquel, foi evoluindo aos poucos na profundidade e escolheu a Imersão Livre como a modalidade que mais gostou e se sentiu confortável para ir mais fundo.

Maya também se sentiu mais a vontade na imersão livre, até porque ela não esta acostumada a usar nadadeiras. E como teve um pouco de dificuldade para equalizar as orelhas nos primeiros dias, esta modalidade sendo mais lenta, deu mais tempo para realizar bem esta manobra.

Eu, Carol, tinha como objetivo este ano mergulhar com prazer e me divertir a cada imersão. Sem o peso de bater uma marca ou “ter que” realizar uma performance, consegui aos poucos parar de me cobrar tanto e me divertir mais, mesmo em mergulhos mais profundos.

Como hoje o tempo é curto para todos nós, Maya só teve uma semana de treino e evoluiu muito bem. Conseguiu o seu objetivo e agora vai partir para mais um treinamento nos Estados Unidos. O tempo foi suficiente para ela conseguir aprimorar e adquirir confiança para novas metas. Vamos seguir evoluindo com treinamentos e novos conhecimentos para novas e seguras experiências ! Nosso treinamento com a Maya apenas começou.

Consegui convencer a Raquel a ficar mais tempo com a gente e participar da sua primeira competição. Tenho certeza que ela fez uma excelente escolha, ficando mais tempo.

Não tivemos nesta segunda semana muitos treinos de piscina e por isso seguimos com os treinamentos de profundidade. A Adriana estava focada nas provas de piscina, mas como sempre evoluindo muito nas profundidades. Com isso ficamos tranquilas quanto aos treinos para as provas de apnéia dinâmica.

A Competição começou e eu estava tranquila quanto as minhas performances, mas um pouco apreensiva com as performances da Adriana. Sei que ela é muito boa na piscina, tem treinado, mas é uma pessoa super ocupada. Ela é medica (cirurgiã vascular), mãe de três filhos pequenos, trabalha muito e o tempo que tem livre se dedica da melhor forma possível aos treinos. Tenho total confiança nela e sei que pode fazer muito mais que os recordes de piscina.

Traçamos uma estratégia para que a Adriana não estivesse muito cansada para as provas de piscina que normalmente acontecem a noite, depois das provas de mar. E deu certo!!!

Primeiro foi apnéia dinâmica sem nadadeiras e ela percorreu 102metros de distancia, novo recorde brasileiro da modalidade. Fiquei tão feliz com a vitoria dela, e posso afirmar que não foi no seu limite. Adriana é uma excelente nadadora, tem uma técnica apurada e tem muita determinação na hora da prova, de dar inveja, e ela vai longe literalmente.

Depois foi a vez da disciplina de Apnéia Dinâmica com Nadadeiras e essa, vou ter que contar alguns segredos aqui. Ela fez o novo recorde brasileiro, 136 metros de distancia, mas os minutos que antecederam foram de confuso a claro, e de trágico a cômico, em segundos. Para encurtar a historia toda, a internet onde estávamos é ruim e tínhamos que anunciar as provas para o dia seguinte, como era uma das poucas pessoas que tinham internet no celular, todos estávamos anunciando, enquanto a Adriana fazia seu aquecimento. De repente o Kirk Krak, diretor da competição, vira e fala que a Adriana tinha dois minutos para o “top time” dela, e nós falamos que ela ainda tinha 7 minutos e que não seria a próxima… Engano nosso. Faltavam menos de dois minutos e ela estava sem nadadeiras, sem lastro e sem toca !!! Foi uma correria só.. Ela quis desistir e eu falei que de jeito nenhum isso iria acontecer e que faríamos dar certo. o Kirk disse com a maior calma do mundo que ainda tínhamos 1’30″ e que daria tempo. Foi uma correria, mas estávamos calmos e seguros de que ela conseguiria de qualquer maneira. E assim o fez! Mesmo sem touca de natação e eu colocando o lastro de pescoço à 30 segundos do TOP!

Foi literalmente emocionante!!! Parabéns Adriana Freitas Brandão pela atitude, determinação e pela confiança em um boa trabalho conjunto.

As brasileiras que representaram nosso país este ano estão ainda mais confiante para o próximo DejaBlue, e a Divemag mais uma vez cobrirá este que é considerado um dos principais Campeonatos do planeta, além do mais seguro e bem organizado.

Até a próxima !

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